Sobre a complexidade de “ser você mesmo”

 Foto: Lutterbach Fotografia

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“Por que se casar com esta pessoa?” Tenho ficado particularmente intrigada com a resposta que mais escuto dos casais para essa pergunta. Nove em cada dez deles respondem que o determinante é porque, com seu par, podem ser quem realmente são. O amor se revela, portanto, como a possibilidade de ser você mesmo, genuíno, sem filtros.

“Fulana me aceita do jeito que eu sou”, dizem. “Com Beltrano me sinto à vontade” é outra frase que escuto demais. Engraçado isso de encontrar a si mesmo na convivência com o outro. E também conseguir, a partir daí, fugir dessa cobrança social quase obsessiva de sermos um outro alguém, e, normalmente, um outro alguém perfeito: paciente, pontual, organizado, sorridente, excelente em tudo.

Ao viver a intimidade, nos desvestindo dos medos e abrindo nossa alma ao outro, conseguimos apresentar nossa personalidade a quem amamos, mas principalmente a nós mesmos. E como isso é importante para vida! Estar à vontade conosco é a condição primeira para nos colocarmos no mundo com coragem e confiança.

Foto: Pexel Photos/Divulgação

Significa reconhecer a nossa essência para saber onde queremos chegar, no amor, na carreira, na vida. Tudo lindo até aqui, né? Só que estar à vontade para sermos nós mesmos traz também o desconforto e o desafio de lidar com as próprias imperfeições. Quase como ficar nua diante do espelho. Não é fácil revelar nossa melhor e nossa pior versão.

Nunca me esquecerei de Marina, recém-casada, vinte e tantos anos, em crise. O casamento estava indo bem, mas ela descobriu que era angustiante lidar com as manias que carregava desde sempre e nem se dava conta que existiam. Era tão autoritária em relação à decoração da casa que o marido lhe apelidou de “Nina Mussolini”, em referência ao ditador italiano. Sofreu de verdade com isso.

Portanto, se uma das motivações para compartilhar a vida com alguém é a possibilidade de sermos nós mesmos, talvez o maior desafio de continuar junto seja encarar a versão torta de nós mesmos. E o grande aprendizado está em saber conviver não somente com os defeitos dos outros, mas com nossas próprias fraquezas e vícios.

Se isso acontece, certamente é para que encontremos na relação aquilo que precisamos para crescer. Conseguir se olhar nua no espelho da alma e não nos esquivarmos dele.

Autor
Jornalista e celebrante de casamentos na Amor Sempre Vivo. Acredito em três verdades absolutas: pessoas precisam ser ouvidas, histórias precisam ser contadas e a razão para nossa existência está em amar e ser amado. É por isso me tornei mais do que jornalista, uma jornalista que conta histórias de amor. Tive clareza desse propósito quando eu e Pedro celebramos nosso próprio casamento. Depois daí não parei mais. Aqui, a repórter dá vazão a tudo aquilo que faz o coração pulsar e mantém o amor sempre vivo.

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