Sincronicidade — um convite para Literatura compartilhada

 Foto: Cartografia – Dolores602

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“Abrir as asas, planejar rotas distantes, percorrer montanhas, flutuar diante do abismo. A gaiola de qualquer pássaro deve ser o mundo. Ou pelo menos deveria.”

É um trecho da apresentação que o meu amigo Lucas Ávila fez sobre mim quando, em agosto de 2018, perguntou se eu queria escrever algo para que ele publicasse nesta coluna. Eu quis e, para minha surpresa, tempos depois ele me indicou para substituí-lo.

Cá estou. Chego em ‘Diversidade’, GUAJA, como autor de uma coluna mensal. O que isso significa? Significa que estou aqui me apresentando para vocês conhecerem meu trabalho literário, de onde parto, de onde grito, o que recito, em prosa ou poesia, vai saber o que está dizendo um murmúrio, um sussurro, um grave, um agudo, um vômito, mas por favor ouça, aqui estou, e eu não ando sozinho, ouça.

Não cheguei aqui sozinho e nem vou dar passos sem querer dar as mãos, ouviu? Memória, não esquecer da memória. O que me trouxe, o que me leva, o que eu sou, quem?

Decidi então fazer dessa oportunidade uma possibilidade, como aquele trecho do Machado de Assis em que ele diz: “Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies.”

E sim eu posso mesmo estar sendo clichê em usar o Machado, alguns podem ler até como arrogância cult, uma tentativa de convencer com uma referência quase que óbvia, vai saber. É como querer decifrar o olhar de quem vê uma tela, sendo aqui à tinta literária, mas não. A questão é que se trata de uma antipropriedade, já que meu pensamento me leva a acreditar que a literatura não pertence a ninguém e deixa um gosto particular na boca. Não adianta querer controlar, nem no mais remoto pensamento seria possível controlar.

Como afirmar, como afirmar? Controle? Uma questão de limites, óbvio de novo (será?) mas, tentando retomar a antipropriedade, a dureza está justamente em tentar entender nos limites o caminho para abrir gaiolas, portas, túneis, brechas, estradas, asas.

Hora de atravessar. Não nos remotos, mas na dureza.

Retomando agora o trabalho do Lucas Ávila, que na sua primeira publicação disse: “Quando fui convidado pelo Guaja a ser colunista sobre o tema LGBTIQ+, pensei muito sobre o espaço que estava me adentrando, sobre o protagonismo, lugar de fala. Onde estão as pessoas (…)”.
A partir de seu questionamento, Lucas retratou, a cada mês, a vida e luta de uma pessoa, juntamente com um ensaio fotográfico. Seu intuito era que deixassem um depoimento, “narrado em primeira pessoa, sobre alguma situação que vivenciou”.

Projeto Literatura compartilhada

Levando adiante a importância da voz, das vozes, das cores, da diversidade, minha primeira publicação, agora como autor desse portal, é para dizer nada além de que isso aqui vai ser um projeto de Literatura compartilhada.

Queremos conhecer mais pessoas que também são amantes dos escritos e mensalmente uma pessoa de BH e região será selecionada, será convidada, para escrever nessa coluna que não é um concurso literário, mas poderia (exceto porque não há desejo de disputa, mas há o de uma luta armada de versos oculares).

Poetizemos as margens, estamos em Terra de diversidade, e a cidade é sincronicidade.
Temporalidade anacrônica sintonizada crônica, crônicas sincronizadas e, dependendo do que acredito acredita acreditamos, quem sabe não transformamo-nos numa rede de transmissão intergaláctica.

Ligado, à bordo, conexão, sintonizado, Sincroni(cidade).

Se interessou? Fale como é ser você, me conta, deixa ver, vem, vai! Imprima sua digital e ajude compartilhando essa informação com a #ProjetoLiteraturaCompartilhada.

Envie seu texto para [email protected]

Queremos saber logo quem escreverá na próxima edição da coluna!

Desejo que eles não passem, não assim tão agressivamente armados, mas sinto e quero que nós, na leveza da palavra alada, já passamos passarinhos passaremos.

Bora fazendo, nos vemos!

Autor
Passarinho loque, asa artivista e redundante.

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