Tecnologia humana como caminho para inovação disruptiva

 

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Será que estamos criando a inovação que o mundo precisa? Essa foi a pergunta que me motivou a largar meu emprego e buscar movimentos, iniciativas, metodologias e conceitos novos pelo mundo. Quase 2 anos de muita busca, experimentação e percepções, percebi que se existe um caminho para gerar mudança disruptiva e criar algo realmente novo, ele está muito menos na tecnologia e muito mais no ser humano. Será que não estaria na hora de criar o Vale do Silício das tecnologias humanas?

Estudando sobre inovação e criatividade, percebi que a maioria das iniciativas que chamamos de inovadoras hoje nada mais são que a combinação de pensamentos antigos para gerar ideias que resolvem problemas reais, porém geralmente superficiais da nossa sociedade. Essa inovação é válida e necessária, mas insuficiente para lidar com a complexidade do mundo e dos desafios que iremos enfrentar nos próximos anos.

Para lidar com aumento exponencial da população, destruição em massa dos recursos naturais, a bolha econômica e tantos outros desafios crescentes no século XXI precisamos começar a gerar uma inovação que nasce da redefinição do conceito básico do que é economia. E a verdade é que a grande maioria das startups e iniciativas ditas inovadoras que criamos hoje, ainda partem da lógica econômica tradicional, ignorando o fato de que o pensamento econômico atual já não faz mais sentido e está com os dias contados.

O bug do ego

Pesquisando sobre criatividade, descobri que um dos grandes limitadores ao tentar criar algo novo é o ego. Funciona mais ou menos assim: toda vez que nosso cérebro cria algum tipo de pensamento, ele forma uma nova ligação e uma vez que esse pensamento se repete, a ligação é reforçada, tornando-se mais forte. Segundo Amit Goswami no livro Criatividade para o século XXI, nosso cérebro tem menos de 1 segundo para criar uma nova ligação, pois é muito difícil para ele quebrar uma ligação já existente. Logo, quanto mais enraizado é um pensamento, mais difícil é quebrá-lo.

Se estamos falando de criar iniciativas no mundo que quebram a lógica econômica vigente na nossa sociedade há 300 anos, você pode imaginar quão difícil é para o nosso ego? Criar inovação disruptiva e quebrar toda a lógica do sistema gera um bug no nosso cérebro, causada pelo ego que tem como necessidade fundamental sustentar nossa identidade e aquilo que já sabemos.

Para mim, criamos o novo quando conseguimos dar um salto para nos conectar com um pedaço do universo que estava invisível até então. É a capacidade de entrar em um estado de presença que consegue se desvincular do ego e nesse 1 segundo entrar em sintonia com uma consciência ampliada que nos auxilia a quebrar o padrão. E desse lugar, conseguimos adentrar no universo de possibilidades e através de um novo olhar, permitimos a emersão do novo. Por isso, para mim, inovação depende da nossa capacidade de transcender o ego, mesmo que por alguns instantes, acessando assim nosso mais alto potencial humano.

“Trans-humanismo é um movimento intelectual que visa transformar a condição humana através do desenvolvimento de tecnologias amplamente disponíveis para aumentar consideravelmente as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas humanas.” (Fonte)

Existe um movimento de pensadores discutindo os efeitos da tecnologia na superação de limitações humanas, principalmente voltado para medicina e aumento da expectativa de vida. Mas, para mim, faz sentido falar de uma outra linha de pensadores que estão criando tecnologias sociais, que criam ambientes onde é possível transcender a condição humana que nos aprisiona nesses hábitos e padrões. É na criação desses ambientes que suportam essa condição humana que transcende o ego, que somos capazes de usar a tecnologia (ou não necessariamente) para criar inovação disruptiva que lide com os grandes problemas que enfrentamos hoje. Está preparado para transcender?

Autor
Publicitária, escritora e facilitadora criativa, me dedico a estudar e viver a transição para uma nova economia a partir da criatividade humana. Com seis anos de experiência em processos criativos, desenvolvi projetos com criação e gestão de marcas, projetos criativos, e criação de ambientes colaborativos através de espaços de conversas de qualidade e pensamento disruptivo. Trabalho com conhecimentos e ferramentas advindas da Teoria U, Design Thinking, Comunicação Não Violenta, Thinking Environment, Transition Design, Art of Hosting, Transition Towns, Economia Colaborativa, Criatividade Quântica e Constelações de sistemas

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