There is no spoon, there is no SEO

 Foto: Unsplash

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Desde que foi fundado há 20 anos, em setembro de 1998, ele mudou a vida quem busca informação, de quem escreve. Bem, na verdade, de todo o mundo. A sua missão oficial é “organizar as informações mundiais e torná-las universalmente acessíveis e úteis”. Hoje ele processa diariamente mais de um bilhão de solicitações de pesquisa e vinte petabytes de dados gerados por usuários. É classificado como o website mais visitado do mundo, o maior conglomerado de mídia. Não há, portanto, como não entrar de cabeça nessa “matrix” chamada Google para o que você escreve ser encontrado por alguém. Mas quero fazer uma provocação: there is no spoon, there is no SEO.

Estou longe de ser uma oráculo, mas explico a brincadeira. No filme Matrix (1999), há uma cena entre Neo — o programador e hacker protagonizado por Keanu Reeves — e um menino de vestes budistas. Existe um diálogo e várias explicações ligadas a conceitos sobre a construção da realidade pela mente. Entre elas, que não devemos tentar mudar o mundo quando não podemos controlar situações externas; se quisermos que algo externo mude, devemos mudar primeiro a forma de ver e entender o que se passa ao redor. A nossa própria mente cria significados. SEO seria um deles?

SEO significa Search Engine Optimization (otimização para mecanismos de busca). É um conjunto de técnicas para sites, blogs e páginas na web alcançarem boas colocações em rankings orgânicos, gerando tráfego e autoridade para quem publicou o conteúdo. Uma nova máxima é: domine SEO para ser encontrado no Google! Estamos falando de palavra-chave, título, meta descrição… Ou, em tempos impressos e não virtuais, de editoria, chapéu, título, subtítulo — ou linha fina, ou bigode —, chamada de capa. É preciso honrar o passado, assim como todos os jargões jornalísticos ainda publicados e lidos por quem vira páginas de papel. Não há nada de novo por aqui. Talvez os nomes, os conceitos.

Eu fui rotulada uma Xennial — aquela que nasceu entre 1977 e 1983, entre as gerações X (1965 a 1978) e Y (1979 e 1993, também chamados Millennials). O nome vem da aglutinação do X com o sufixo da palavra Millennials. Tive uma infância e adolescência predominantemente analógica e início da vida adulta, porém, digital. Minha trajetória de 15 anos como jornalista de veículos impressos — passando pelo Diário do Comércio, Estado de Minas, Folha de São Paulo, Metro e VEJA BH -, se deu na transição da era industrial para a digital — não conscientemente até dois anos atrás, é preciso dizer.

Em casa e na empresa do meu pai, usei máquina de datilografar. Na faculdade, criei o meu primeiro e-mail e a revolução começou. No Diário do Comércio, conheci o sistema operacional MS-DOS e, em 2007, me tornei blogger por lançar o blogspot Dinheiro Minas. No Estado de Minas, em 2010, ganhei um prêmio com a série Na Real, a primeira multimídia: publicada em texto e em vídeo, no jornal e no portal Uai, além de um blog e de um perfil no Twitter. Na Folha de São Paulo, recebia todas as entrevistas feitas por telefone, assim que colocava o fone de orelha no gancho, na minha caixa de e-mail; estava lá quando foi lançada a TV Folha no Youtube. No Metro, do meu Mac, podia acessar edições de quase 20 países. Na VEJA BH, tinha login e senha para fazer postagem nas redes sociais antes mesmo de levantar da minha cama.

Hoje eu sou colunista sobre nova economia do Estado de Minas e escrevo do coworking GUAJA, onde sou curadora de conteúdo e de onde escrevo para outras empresas e pessoas. Tenho o www.blankspace.online – uma plataforma de conteúdo sobre a expansão da nova economia em Minas Gerais. Estudei (e continuo estudando) sobre empreendedorismo criativo, design thinking, coolhunting, futurismo, teoria U e encontrei o meu propósito. Acredito que uma comunicação com presença e escuta ativa conecta, inspira e transforma pessoas.

Conscientemente ou não, repito, vivemos uma transição de era, da industrial para a digital; do linear, segmentado, repetitivo e previsível para o não-linear, conectado, multidisciplinar e imprevisível. Fazemos parte do mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), do tempo dos COs (compartilhar, colaborar, co-criar), da confiança, do propósito transformador massivo, da diversidade, do eu-empreendedor, de inovações em velocidade exponencial. Precisamos ter mente e coração abertos, ter vontade de fazer diferente, estar atento e aprender.

Se a sua leitura chegou até aqui, contrariando as expectativas de SEO e porque regras existem para ser quebradas, deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com o Google e o bendito SEO? Seja você jornalista ou não, algumas técnicas — velhas, novas, adaptadas ou disruptivas — existem para melhor conectar o conteúdo com o leitor. São algumas ferramentas para o mais importante a ser construído e publicado: um conteúdo de qualidade. Estou falando sobre contextualização histórica, dados, entrevistas com vários lados, novidades, fontes, apuração, investigação, checagem… Estou falando do outro, de pessoas, de tempo, atenção, empatia, cuidado, trocas e aprendizados. Não, não existe uma única fórmula para um texto. There is no spoon.

Curso

Em tempos em que todos se auto-publicam e têm o seu próprio canal de divulgação, de redes sociais às plataformas de conteúdo, escrever tornou-se peça-chave do processo de se comunicar bem com o outro, com o seu público alvo. As técnicas jornalísticas são uma forte base para quem busca uma comunicação precisa, clara e sucinta: advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, designers, empreendedores…

Compartilharei o curso Newspaper x Hyperlink — Técnicas de jornalismo e ferramentas contemporâneas para a construção de um texto. Ele é resultado das vivências em redações de jornais e revistas, além de estudos relacionados à nova economia e à era digital. Será realizado nos dias 20, 21 e 22 de agosto, de 19h às 22h, no GUAJA. Clique aqui para saber mais.

Autor
A jornalista Paola Carvalho é colunista sobre nova economia no jornal Estado de Minas, editora do portal GUAJA.cc e fundadora da agência de comunicação e produtora de conteúdo Blank_Space. Passou pela TV Band, Rede Minas, assessoria de imprensa da operadora Claro, Diário do Comércio, Folha de São Paulo, Metro SP e VEJA BH. Como repórter, ganhou prêmios, como os do Sebrae, Senai, Apimec, Crea e Ministério Público de Minas. Foi finalista de outros, a exemplo do Prêmio Abril de Jornalismo, na categoria política. Entretanto, não acredita que a sua profissão a define hoje. É mãe do pequetito Otávio, filha de empreendedores, que ama se conectar com o mundo, com as raízes, seja por meio do que as cidades contam, ou do que as pessoas revelam. E, claro, ama mais ainda escrever sobre todas essas experiências e conversas. Participa de projetos, como o Chão Que Eu Piso, a Conexão Leopoldina, a Escola de Livre Aprendizado (ELA) e o FoodColab.

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