Todos são empreendedores. Só ainda não sabem disso

 Foto: @jamiefernn via unsplash

Receba artigos sobre negócios semanalmente em sua caixa de entrada!

×

A primeira vez que ouvi sobre Futurismo foi por volta de 2010, quando assisti a uma palestra daquele pessoal maravilhoso da Perestroika. Tema interessantíssimo! Não somente pela noção de transcendência que percebi, quanto pela espetacular abrangência e impacto que esse assunto pode exercer sobre nossa existência.

Lembro-me até hoje dos slides e como eles foram sendo apresentados e analisados. A parte que tratava da correlação possível entre a velocidade das mudanças e a carreira profissional do indivíduo, determinantemente me impressionou, pois dizia mais ou menos assim: os indivíduos não serão isso ou aquilo em suas profissões. Aliás, nem existirá mais esse esquema de profissões, tal como conhecemos hoje em dia. Eles irão atuar em certas áreas, expondo suas habilidades, aptidões e conhecimentos. Dali passarão para outras áreas correlatas, sempre desenvolvendo atividades complementares às já existentes, podendo até mesmo chegar ao ponto de pivotar a carreira.

Assim mesmo, como foi dito. Ou seja, mudar significativamente a trajetória profissional, fato esse que, se fosse dito 15 anos antes, jamais sequer poderia ser sido cogitado. Pelo menos por mim, recém-formado, talhado e crente numa carreira linear, longilínea e longínqua. Foi um soco no estômago que levei naquele dia, naquela palestra. Mas um ótimo e revigorante soco no estômago, por mais masoquista que isso possa parecer.

Nos últimos oito anos posso atestar, com relativa sobriedade, que foi exatamente essa lateralidade que tomou conta da minha carreira profissional. Meu atual momento: estou escritor. Atividade, alguns dirão, bastante correlata à de professor, que adoto como efetiva profissão. Ofício delicioso, apesar de consumir boa parte das horas do meu dia. Mas não. Nesse caso não. Escrever Os Sonhos de Mateus não foi um ato de escrita, fruto de pesquisa científica, tema de monografia de final de curso, redação de artigo para revista especializada e toda a categorização institucional que possa existir em escrever algum conteúdo sobre empreendedorismo.

Os Sonhos de Mateus foi uma incrível jornada empreendedora não só pela construção do conteúdo, mas pelo ofício de escrevê-lo. O processo me deu capacidades e, com isso, possibilidades de arriscar-me cada vez mais naquilo que acredito, que eu persigo.

Saí da zona de conforto sim. Não fui escrever para engordar o meu Lattes. Nada contra, mas definitivamente isso não pareceu ter muita importância. Ao exercer a mágica transformação do que eu vejo e vivo todos os dias em palavras, contextualizadas de maneira propositalmente atemporal, com personagens fugazes e, por vezes furtivos, em cenários essencialmente urbanos e georreferenciados, estou traduzindo as minhas observações da realidade que me rodeou e me rodeia, com os sonhos captados nas falas dos que conversei e converso até hoje, quando me confidenciam suas fascinantes ideias.

Afinal de contas, são numerosos os eventos que ocorrem na vida dos empreendedores atualmente. Em especial os que estavam, estão e estarão em breve nos programas de aceleração espalhados pela cidade atualmente. São nesses cenários urbanóides, típicos dos startupeiros, onde há um trânsito caótico de pessoas indo e vindo, durante um período de tempo que parece não passar, por tão proveitoso que é, em que os relacionamentos são importantes, porém rápidos demais, que construí o enredo para o livro.

Foi vendo, ouvindo e sentindo todo o ordenado caos típico destas situações, que consegui desenvolver, muito mais do que eu poderia supor, a minha sensibilidade para mudar meu olhar sobre as coisas que acontecem, alinhando-o à perspectiva proposta pelo futurismo.

Sim, ampliei minha trajetória profissional ao aceitar o desafio, ao enfrentar a elaboração de um roteiro que reflita uma história que eu construí, baseada num pastiche dos fatos que vivenciei, ora participando ativamente, ora como um atento e preciso espectador.

Via de regra, Os Sonhos de Mateus me parece um projeto extremamente exitoso. Talvez não somente pelos indicadores de resultado que, pelo menos até agora, tem sido suficientemente positivos; mas inclusive pelo impacto que tenho notado naqueles que, após lerem, têm me procurado para compartilhar o quanto gostaram da leitura.

Sim, expandi minha carreira. Empreendi. Não um negócio, um serviço, uma startup, um aplicativo. No meu caso foi um livro. No seu pode ser uma dieta. No do outro pode ser um novo curso que vai dar mais habilidades, conhecimentos. No outro pode ser um concurso. No daquela pessoa que está na mesa ao lado pode ser a pescaria que sempre sonhou. Isso na verdade não importa muito. O peso maior está na sua capacidade de executar, na decisão que irá tomar, na atitude que irá ter, pois é aí que reside o comportamento e o raciocínio dos empreendedores.

Mateus teve essa conduta. Eu também tive. E você pode ter também. Basta ter sonhos e ir atrás deles. Mova-se então!

Autor
Professor, mentor, fomentador, estudioso, facilitador e interessado em empreendedorismo e coisas afins.

Share the love.

Se este artigo te fez lembrar de alguém, mostra pra elx!

Como você se move em busca dos seus sonhos?

Para comentar você deve ter uma conta—só leva um minuto:

fazer login ou registrar-se