Como será nosso trabalho no mundo pós-industrial?

 

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Novas formas e modalidades de trabalho surgem a partir das intensas transformações econômicas, organizacionais e tecnológicas. Não digo apenas das profissões que vão nascer, desaparecer ou se atualizar, mas também sobre configurações que se tornam tendência e rompem com padrões que já não cabem em nosso estilo e propósito de vida. Esse movimento é mundial e não depende de nossos anseios pessoais. A nós, cabe a busca constante por atualização (cognitiva e tecnológica); às empresas, investimento em capacitação e gestão de seus membros e recursos.

A Indústria 4.0, era em que estamos vivendo, é marcada essencialmente pela introdução das novas tecnologias nas organizações, por processos cada vez mais automatizados e pela inteligência artificial controlando dados e informações. Isso traz, ao mesmo tempo, grandes oportunidades e riscos.

O lado bom é que, quando você menos imaginar, máquinas e robôs vão poder cumprir nossa rotina de trabalho para nós. Porém, esse fator está diretamente ligado ao aumento das tensões sociais, principalmente em países não-desenvolvidos.

Mas então, o que vai acontecer com o trabalho? Como conseguiremos trabalhar daqui pra frente?

De acordo com Klaus Schwab, Presidente do Fórum Econômico Mundial e autor do livro The Fourth Industrial Revolution, a quarta revolução industrial “é caracterizada por uma fusão de tecnologias que mistura as fronteiras entre as esferas física, digital e biológica“. Como disse acima, a robotização será parte cada vez mais presente em nossas rotinas, bem como nano e biotecnologias, impressões 3D, etc. Nós, seres ultraconectados, acompanhamos de perto essa disruptura.

Segundo um estudo da Universidade de Oxford, intitulado O futuro do trabalho, 47% dos empregos nos Estados Unidos estão em risco. A explicação para tal número é de que há uma tendência atual de polarização do mercado de trabalho: crescem tanto o número de empregos de alta cognição que geram alta renda, quanto o de ocupações mais primárias de baixa renda. Enquanto isso, os trabalhos que oferecem renda média tornam-se cada vez mais raros.

Tal polarização, que resulta em clara desigualdade, é apenas o topo do iceberg.

Essa nova revolução poderia gerar maior desigualdade, principalmente em seu potencial de bagunçar os mercados de trabalho. Como a automação substitui o trabalho em toda a economia, o deslocamento líquido de trabalhadores por máquinas pode intensificar a diferença entre retornos ao capital e retornos ao trabalho.

Esse é um apontamento dos economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee e quer dizer, basicamente, que hoje em dia é muito mais fácil fazer dinheiro do que a 25 anos atrás, por conta do tipo de custos que uma organização tem. Uma empresa que lucra com aplicativos inteligentes requer menos capital, não precisa pagar pelo armazenamento ou transporte (como seria com uma empresa automobilística, por exemplo), e não possui praticamente nenhum custo extra, à medida em que o número de usuários aumenta. Por isso, hoje em dia são relativamente comuns os casos de empresários de tecnologia que ficam muito ricos quando ainda jovens.

Analisando as tendências e os mecanismos da atual revolução, as principais forças e características que vão impulsionar esses trabalhos de alta produtividade e alta capacidade cognitiva, com menos cargos, são: a interoperabilidade, ou seja, sistemas em rede que se conectam, trabalham e se comunicam através da Internet das Coisas e da Internet dos Serviços; a descentralização, que é a capacidade desses sistemas de tomarem decisões por si mesmos; a capacidade em tempo real, que diz respeito à capacidade de coletar e analisar dados e fornecer as informações derivadas imediatamente a toda a rede; e a modularidade: adaptação flexível desses sistemas em rede às mudanças de requisitos, substituindo ou expandindo módulos individuais.

Particularmente, acredito que o futuro será cada vez mais compartilhado e as profissões vão assumindo novos formatos, à medida em que a automação se faz mais presente. Talvez otimista demais, acredito também que determinadas funções sempre serão humanas. No que toca à capacitação e ao desenvolvimento cognitivo, fica evidente que países desenvolvidos e pessoas com maior acesso já partem de um patamar diferente, acentuando as diferenças sociais.

Nesse sentido, finalizo com um eco do pensamento de Jacques Ellul e Günther Anders: a expansão das indústrias transforma a sociedade em uma gigantesca máquina que, em vez de libertar os humanos, restringe seu espaço de autonomia e determina como e quais objetivos eles devem perseguir.

Como analisa o filósofo André Gorz, em seu livro Carta a D, nós nos tornamos serviçais dessa megamáquina. A produção não está mais a nosso serviço, nós é que estamos a serviço da produção. E em razão da profissionalização simultânea dos serviços de todos os tipos, tornamo-nos incapazes de cuidar de nós mesmos, de autodeterminar as nossas necessidades e de satisfazê-las por nossa conta.

Reflitamos. E cuidemos de nós mesmos.

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou. Da produção cultural ao conteúdo digital, me redescubro nos encontros, e nos desencontros me reinvento. Sempre além.

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