Universo Uni-verso versos uni(versos)

 Imagem livro “Generalidades ou Passarinho Loque Esse” – JoMaKA Foto: Marcela Viana

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Não mentir é bem melhor.

— Nossa, mas quanta normativa numa frase só! É o que algumas pessoas diriam… outras amariam a ideia, mesmo que não de fato praticassem, algumas podiam achar aquilo uma viagem, outras nem sequer demonstraram interesse.
O que importa nesse #projetoLiteraturacompartilhada é o ponto de vista. Alguma coisa que você vê do mundo que me faça talvez ver alguma coisa, que faça alguém ver! Ah, mas como eu adoraria adoooro, adorei, – me dá de novo!
A autonomia do corpo é também da voz e dos passos. Muros? Rios? Lama, ventania. A autonomia dos corpos é também a dos olhos, ainda que cegos, mas não, – chega de insistir na cegueira. Se é confuso, se é ambíguo, se eu não entendo é porque talvez a vida seja como a poesia, não se pode afirmar com total certeza. Então suponho:
— o muro da vida é feito de vento. Não é sólido, nem discreto. Balança, balança. Um dia cai.

 

Pois bem.
Ligado, à bordo, conexão, sintonizado. Estamos de volta, é março de 2019 e esta é a minha segunda publicação aqui, agora oficialmente compartilhada.
Poetizemos as margens, estamos em Terra de diversidade e a cidade é sincronicidade.
Hoje o Universo que se une aos meus versos é o de Luci.
Luci é uma digital, um ponto de vista marginal, uma voz que não se cala, um universo inteiro.

Luci Universo

Negra, transfeminina não binária, assexual, pansexual, artista independente, transfeminista, artesã, ativista pelos direitos humanos e do meio ambiente.
Conheça mais de seu trabalho no instagram @luciuniverso.

Atormentada

De peito armado
A proteção
De palavras tortas
vidas impostas
seu olhar

Coloco a bala
Atiro
Fim da sua vida
Armadilhas

Meu corpo de espinhos
Corta seus caminhos
Mãos sujas

Ando com navalha
Cortando cordas
Nós
Amarrações
Picotando a história
Fazendo minha voz ser ouvida
Arranhando
Desfazendo narrativas
Refazendo expectativas

Bota na conta
Que todo dia leva uma
Que na peneira a gente sobra
E não faz mistura
Aceita minha vitória
Eu fui silenciosa
Não precisei ter sangue nas mãos

Não tem lei
Nem amparo
Corpos jogados
Nas ruas
No chão
Onde vocês pisam
Dominam
Defecam
Gozam

Não tem respeito
Tem peito sangrando
Tem bicha gritando
Travesti de 16 anos
Morta, queimada
Assasinada
Nossa vida pra vocês não vale nada

Carne de açougue de cis
Carnificina
Transgenerocidio
Que fica impune
Nem é registrado
Nem é perguntado o nome daquela pobre vitima
É logo colocado nessa cova
O nome de um papel

Somos mais que isso
Mas nossa expectativa só vem a diminuir
Vidas mortas pelo cistema
Mortas vidas que vagam morrendo de fome
De falta de afeto
Seguem já direto pro inferno
Segundo seguidores do capeta que vão na igreja
Ajoelhar pedir perdão
Pra sair de lá livre da consciência de viver com as pedras na mão

A faca que corta nossa vida
É a mesma que você corta a sua comida
Tu não se importa com qual sangue derramou
E se fosse o teu?
Vai ser o teu.

Literatura Compartilhada mensalmente seleciona uma pessoa de BH ou região para publicar.
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… na leveza da palavra alada bora fazendo, nos vemos!

Autor
Passarinho loque, asa artivista e redundante.

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