VERMELHO

 

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— Carranca! Espantou aquilo de mim. A cordinha tinha arrebentado e no fundo eu entendia o motivo. Ia ser bom ter um radinho, falei comigo mesmo, sabe? Eu nem estava tão interessado em pensar sobre as máfias que havia naquilo, as contradições, as incoerências, talvez alguma espécie de conspiração genocida que queria meu corpo morto e que não suportava o fato de meu corpo estar ali. Como quando a gente quer cuspir algo que tá comendo, só o que prato é de alguém, e eu ali feito uma visita que querem cuspir até quando oferecem a comida, mas não cospem, afinal existem as etiquetas das boas vindas, enquanto sou eu quem tenho que engolir, tenho também que sorrir, ajoelhar-me, te aplaudir, senão de visita passo a lixo que pode ser a qualquer momento dispensado morto e sepultado no topo da mansão dos assassinos, porque foda-se não é mesmo?! 

Então eu me dispo e queimo até o fim, até que se degrade o pó dos meus restos, até que me chamem de louco, louca, doente, violento, agressivo, pervertido, até que queiram de novo me enclausurar em paredes brancas de um velho manicômio, repleto de energias mortas de tantas pessoas que já passaram por ali e foram abusadas pela ciência psiquiátrica e farmacológica, sob proteção daquela falsa cura de uma patologia inventada. Eu vou me despir e escancarar as experiências que sei pela pele, então eu me dispo e ressuscito cada pedaço que tiraram de mim. 

Devaneios? Sim, devaneios. Cá estou dizendo comigo, e pra você que lê, e também pra você que nem se interessa. Acha que eu sou desses que fazem fábulas? 

Eu decidi fazer da minha voz uma denúncia. 

Acho que é pelo tanto que sinto cortar de dor o meu corpo em meio ao planeta Terra de gaiolas, esse hospício a céu aberto que faz do dia noite pela fumaça que queima florestas, que faz dos rios uma lama imensa e sem fim. Acho que é isso. Isso faz de mim um ser que sente a morte até pelo cheiro exalando do sovaco, exatamente, um ser que sente a morte pelos sovacos, pelos pêlos, pelo chulé, a morte no cheiro do ar que respira. Foram mesmo quantas vezes que eu apalpei a morte? 

Quase me mataram. Quase me suicidaram. Por tantas vezes quase. Quase. 

E a morte doía, doía. Mesmo que nem sempre tão de perto, todo dia eu morria de morte morrida. Morria de morte quase minha, de tantas mortes que assassinam.

— Chegou o correio, é uma bússola!  Saiam daqui, assassinos!

Rúbia Borborema

De São Sebastião do Paraíso – MG, divisa com SP.
Formada em Tecnologia da informação na UEMG.
No tempo livre gosta de criar metáforas da vida em forma de poesias e crônicas.
Com sua escrita sensível e profunda tem conquistado fãs inclusive fora do Brasil (EUA, Itália, África do Sul, Áustria, Bielorrússia).
Quando era estudante ganhou prêmios em poesias e seus escritos em diferentes níveis.

Facebook: Rúbia Borborema
Instagram: @RubiaBorborema

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Autor
Passarinho loque, asa artivista e redundante.

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