Israel: Uma viagem ao maior caldeirão religioso, cultural e histórico do Oriente Médio

 Foto: Renato Weil e Glória Tupinambás

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O minarete soa alto nas mesquitas, cinco vezes ao dia, à espera dos muçulmanos com turbantes, túnicas e burcas para suas orações a Alá e Maomé. Cristãos percorrem a Via Dolorosa e relembram, a cada uma das 14 estações da Paixão de Cristo, a dor e o sofrimento de Jesus até a sua crucificação e ressurreição na Igreja do Santo Sepulcro. E, no Muro das Lamentações, a cor preta se destaca nos xales (talit), franjas (tsitsít), chapéus e quipás (pequena touca) dos judeus, sempre discretos, com seus bilhetes e orações prontos para serem colocados em uma fresta do que restou do histórico Templo de Salomão. Jerusalém é isso! Cidade sagrada para as três religiões monoteístas do mundo que guarda, em um único quilômetro quadrado, 3 mil anos de histórias e conflitos.

Israel intima os visitantes a mergulharem nesse caldeirão cultural, religioso e histórico a cada esquina. Incensos e especiarias perfumam o ar, enquanto os olhos se perdem nos ícones sagrados do Alcorão, da Bíblia e do Torá. Não é preciso ter fé para se encantar com a Terra Santa. Basta ter respeito às diferenças e abrir o coração para a energia mágica que emana desse lugar onde homens e reis transcendem os fatos para tornarem-se mitos em suas religiões. E, apesar do noticiário bombardear o mundo diariamente com manchetes de guerras no Oriente Médio, espere por um clima de paz e harmonia – tudo aparentemente muito frágil e tênue, mas nada que intimide os turistas.

No Deserto da Judeia, o mais profundo interior de Israel, a magia dos templos bíblicos renasce a cada passeio. Ali foram encontrados os Pergaminhos do Mar Morto – manuscritos seculares descobertos na caverna de Qumran, dentro de um jarro de cerâmica, na década de 1940. E no topo de um penhasco de 400 metros de altura, a história pulsa no Forte de Massada. Lá no alto, o Rei Herodes construiu um palácio cheio de luxo e riqueza. Mas o local entrou para a história por ser palco de um episódio trágico: o suicídio coletivo dos sicários. Durante a Primeira Guerra Romano-Judaica, no ano 70, tropas romanas invadiram o país e os rebeldes judeus, fugindo da perseguição, tomaram a fortaleza e assentaram suas famílias por pelo menos quatro anos. Mas quando o governador romano e 15 mil soldados cercaram Massada, cerca de 960 rebeldes, conhecidos como sicários, se recusaram a virar escravos ou a morrer nas mãos do inimigo. Reza a lenda que, como o suicídio é condenado pelo judaísmo, os sicários fizeram um sorteio e foram se matando, um a um, até que o último deles, por fim, se suicidou. O ato de preferir a morte à escravidão é considerado uma bandeira de resistência e coragem judaica, mas também é alvo de críticas pelo extremismo e radicalismo envolvidos na morte de 960 pessoas.

Cansados de tanta história, guerras e conflitos? Então é hora de relaxar nas águas do Mar Morto. Esse lago de água salgada no coração do Oriente Médio é um spa natural, com uma concentração de sal e minerais 10 vezes maior que qualquer oceano do mundo. Localizado a 400 metros abaixo do nível do mar, o Mar Morto não permite que o visitante mergulhe em suas águas. Nada afunda ali! É só entrar, jogar o corpo para trás e… boiar! As propriedades terapêuticas do Mar Morto movimentam uma indústria de spas e cosméticos na região e vale destacar a interessante visita à fábrica de cosméticos Ahava que, desde 1988, extrai dali minerais e matéria-prima para seus caros cremes, óleos e loções.

Foto: Renato Weil e Glória Tupinambás

Na reta final da viagem, nada melhor do que a cosmopolita Tel Aviv. Dona de praias belíssimas às margens do Mar Mediterrâneo, a “capital política” de Israel conquista os visitantes por seu moderno balneário, adorado em especial pela comunidade LGBT, um colorido e vibrante mercado e também por excelentes museus. Destaque absoluto para e exposição “In Statu Quo”, em cartaz até 22 de junho no Museu de Arte de Tel Aviv. Por meio da arquitetura, a exibição faz uma leitura contemporânea e super explicativa dos conflitos e disputas de interesse entre judeus, cristãos e muçulmanos que permeiam a história de Israel, e de Jerusalém em especial, a mais de 3 mil anos.

Visitamos Israel pela primeira vez, em 2012, em um mochilão pelas joias do Oriente Médio – Egito, Israel, Jordânia, Palestina, Turquia e Emirados Árabes. Agora, retornei a Israel sozinha, a convite da Linhas Aéreas TAP Air Portugal e do Ministério do Turismo de Israel, para um voo inaugural de Lisboa a Tel Aviv. Hotéis de luxo (Mamilla Hotel, em Jerusalém; Herods Hotel, em Tel Aviv; e Isrotel, no Mar Morto), restaurantes comandados por famosos chefs, guia turístico falando em português, entrada liberada a diversos museus e exposições… Um novo e luxuoso país a ser explorado!

Autor
Glória Tupinambás é repórter e colunista de Viagem e Turismo da Rádio CBN, já viajou por 59 países dos cinco continentes com seu marido, o fotógrafo Renato Weil. Juntos, publicaram dois livros sobre viagens: O Mundo em Minas e A Casa Nômade pelo Mundo. Hoje, estão em uma expedição pelos extremos da América, do Ushuaia ao Alasca, a bordo do motorhome A Casa Nômade.

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