Os vícios redibitórios dos empreendedores

 

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Você sabe o que é vício redibitório? Não? Pois é, eu também nunca tinha ouvido falar disso até outro dia atrás. Claro que quando ouvi fui logo perguntando do que se tratava. Coisa esquisitíssima. Nem entendi de uma primeira vez. Fui logo acessando site de busca, na caça de exemplos, visões, vídeos e sei lá mais o que a rede mundial pode me proporcionar. Deu na mesma. Tudo naquela pegada do jurisdiquês tão incompreensível quanto o próprio termo. Fato é que eu entendi o que ele significa, e resolvi aplicá-lo ao meu universo. Ao menos àquele que me rodeia todo dia.

Quase todos os dias eu, professor, tropeço com algum aluno candidato a empreendedor. O que é ótimo! Eles me confidenciam seus projetos, seus anseios e mesmo os seus dramas. A questão é que pouco vejo de sonhos nos olhares, nos discursos, nas intenções. Daí chamo de vício redibitório aplicado ao universo do empreendedorismo: se eles soubessem que empreender precisa do sonho, da faísca brilhante nos olhos para fazer acontecer, certamente escolheriam outra trajetória, pois racionalizam muito seus objetivos, tentam encaixar a qualquer custo a sua ideia em um mercado, e isso acaba enfraquecendo a atitude empreendedora tão demandada na atualidade.

Sim, é preciso ter o sonho de empreender! É preciso de inspiração não somente como frente para o start do projeto que se quer lançar, como também para a trajetória que essa opção oferece. Quando digo sonho, digo sonho mesmo, aquele de fechar os olhos e se ver atendendo clientes, oferecendo-lhes soluções para seus problemas, negociando com fornecedores, frequentando eventos na área do seu empreendimento, fazendo a diferença. Não deve ser só objetivo do ato em si. É preciso ir adiante, senão acaba sendo algo como “mandei o meu currículo, mas até hoje ainda não me responderam”.

E sinto em dizer: nesse dia a dia são muitos aqueles que ficam só no “vamo vê no que dá esse esquema de empreender”. Não é bem assim. Vício redibitório do empreendedorismo. Se eu soubesse que não é um sonho eu nem pararia para conversar com esse ou aquele interlocutor. Mas sabe como é que é, né? Se eu não parar para atender, sequer irei poder saber se é um sonho ou somente outra e diferente tentativa profissional. Se eu soubesse que não era um sonho, então, eu nem pararia para conversar, “trocar uma ideia” como eles dizem quando me abordam. Vício redibitório!

Aí eu fico me perguntando: qual o custo de sonhar? Pode até parecer uma ode ao economista e empresário Jorge Paulo Lemann, mas, por ser óbvio nem sempre quer dizer que será tosco. Seja qual ideia for a que eu estiver ouvindo, fico mais preocupado e atento ao comportamento, à atitude do interlocutor do que necessariamente se aquilo que ele está me apresentando tem potencial ou não para se tornar um negócio.

Fui ali dar uma pesquisada nas grades dos cursos de empreendedorismo, no perfil dos professores das universidades modelo neste campo, e descobri que há uma frequente observação acerca do comportamento dos participantes destes cursos. Os gestores mentores destes cursos sabem que ideias são basicamente commodities. O que importa na versão mais contemporânea para a escolha de boas ideias é ver na cara do empreendedor se ele será capaz de fazer a bagaça toda bombar!

Não irei ficar aqui discorrendo sobre as típicas características empreendedoras que denotam a atitude, o mindset ideal para empreender, mas bem sei que sonhos são parte inequívoca de todo o processo, e que nem todos oferecem essas condições. Mas sei também que elas podem ser adquiridas. Há possibilidade de se inspirar, de pirar e sonhar. Sonhar com um futuro de autorrealização, de autonomia para decidir, de risco, de vida. O que é a vida se não houver um sonho? Um sonho que se altera, que se move, se adapta. Não pense nos resultados. Pense na trajetória, pois será ela a responsável em fazer você provar o seu potencial empreendedor. E seja feliz!

Autor
Professor, mentor, fomentador, estudioso, facilitador e interessado em empreendedorismo e coisas afins.

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