Hoje é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e eu vou te contar alguns segredinhos

 

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Questionadas, objetificadas, invisibilizadas. É comum na vivência de uma mulher lésbica reconhecer-se em, no mínimo, uma dessas posições. Hoje, dia 29 de agosto, é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica — celebrado no Brasil desde 1996, ano quando aconteceu o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, no Rio de Janeiro. Com a temática “Visibilidade, Saúde e Organização”, foram discutidas questões ligadas à sexualidade, prevenção de doenças, trabalho e cidadania de mulheres lésbicas, assuntos que, antes, não entravam em voga.

Agora, 23 anos depois, em uma estrutura social ainda marcada pela heteronormatividade e pelo domínio patriarcal, algumas conclusões lógicas parecem ser de difícil assimilação por boa parte da sociedade:

Nenhuma das duas é o homem da relação

Esse é justamente o ponto: um relacionamento lésbico é (surpresa!) composto por duas mulheres que não se sentem atraídas por homem, portanto, nenhuma é o homem da relação.

Isso não é uma fase

Quantas vezes ouvimos dizer que a mulher lésbica está experimentando uma nova fase? Por que nossa sexualidade vive sendo questionada e discutida por pessoas que não foram requisitadas? E onde reside a dificuldade em respeitar o processo de descobrimento e desconstrução de cada uma, considerando que, desde novinhas, a maioria das meninas é submetida à heterossexualidade compulsória.

Performance de feminilidade não define orientação sexual

“Nossa, mas ela é tão menininha, nem parece lésbica’’ ou “Sério que ela beija rapazes? Parece uma sapatão’’ são frases que eu já ouvi em círculos sociais próximos, totalmente sem fundamento. Elas apenas reforçam uma lógica binária de padrões que nos são impostos, como se houvesse um manual de instruções de comportamento. Romper com essa lógica é, também, parte fundamental da luta LGBTQI+.

Nossos corpos não são objetos para o prazer alheio

Olhares inconvenientes, assédio, estupro corretivo, hiperssexualização. Duas mulheres de mãos dadas não são motivo para despertar nenhuma dessas atitudes. Aliás, se for para despertar algo, que seja respeito e admiração, afinal, desfilar o amor em um país machista, misógino e LGBTfóbico é um ato de coragem e resistência.

Pornô lésbico’’ é, historicamente, uma das categorias mais buscadas em site de pornografia, mais uma comprovação de que os corpos femininos são recorrentemente vistos como objetos a satisfazer o prazer do outro, especialmente quando o outro é homem. Felizmente, há pouco mais de um mês, a Google alterou seus algoritmos para que o termo ‘lésbica’ deixe de ser associado a pornô. Pequeno passo, grande significado.

#FICADICA

Um exercício válido de praticarmos (além da empatia, princípio básico) é observar, nos lugares onde frequentamos, a presença de mulheres lésbicas — e outras minorias. Quantas delas estão na sua equipe do trabalho? Elas se sente confortáveis para serem livres? Quantas artistas lésbicas estão na programação do Festival que você vai? Como seus amigos se referem a essas mulheres?

Pra fechar com velcro bem coladinho, uma mini-lista com temática sapatão pra você se deleitar e fugir da normatividade:

Elisa y Marcela (2019)

Esse filme, da cineasta espanhola Isabel Coixet, é um drama romântico baseado em uma história real. Todo em preto & branco, se passa em 1901 e narra a história do único casamento lésbico já realizado e aprovado pela Igreja Católica.

Ninguém Perguntou Por Você (2019)

O videoclipe da faixa Ninguém Perguntou Por Você, do álbum Letrux em Noite de Climão, é apenas de tirar o fôlego. A composição, de 2017, ganhou cenas estonteantes protagonizadas pela própria Letrux ao lado das atrizes maravilhosas Camila Pitanga e Bruna Linzmeyer.

Disobedience (2017)

O filme se passa no Reino Unido e conta a história de Ronit Krushka, que precisa voltar a sua cidade natal e acaba reencontrando seu amigo de infância que, para sua surpresa, se casou com uma crush da adolescência de Ronit. Quem nunca?

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou. Da produção cultural ao conteúdo digital, me redescubro nos encontros, e nos desencontros me reinvento. Sempre além.

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