Eleições 2018: vote trans

 Juhlia Santos, por Lucas Ávila

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Cinquenta e duas candidatas, candidatos e candidates trans e travestis concorrem a um cargo nas eleições deste ano no Brasil. Todas as vagas são para o poder legislativo, seja nas Assembleias ou no Congresso Nacional. O número é dez vezes maior que em 2014. O aumento pode ser justificado, a priori, pelas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que possibilitou a retificação civil e também eleitoral para pessoas trans e travestis. No entanto, quem está à frente desta marcha, percebe que este avanço nas candidaturas vai além. “A gente percebeu que só vai conseguir solucionar e apresentar nossas formas de ver e fazer o mundo se estivermos nos espaços. Por isso, a sociedade vai ter que aprender a conviver com cada vez mais travestis e pessoas trans nos mais variados lugares, inclusive de poder”. Hoje vocês conhecerão a história de Juhlia Santos.

“Eu nasci em Belo Horizonte, em um bairro de classe média. Meus avós moravam na cidade de Ribeirão das Neves e minha mãe, querendo uma casa própria, começou a construir uma pequena casa em um bairro novo que surgia na cidade. Passei parte da minha infância e adolescência lá, onde tive contato com uma realidade de periferia, de pessoas pretas, que eu não estava acostumada.

Lá eu via e sentia as negações, falta de infraestrutura, nossa rua não tinha asfalto, esgoto. Eu sentia todas estas negações, mas era muito nova e não fazia essa leitura, percebi tudo isso com o passar dos anos. Tive uma infância dura, mas brincava muito na rua, o afeto da minha família aliviava essa pobreza.

Aos 14 anos de idade, conheci o quilombo Manzo, que me abriu as portas para as origens africanas, o Candomblé, as discussões raciais e sobre o papel da mulher negra. Fui acolhida de uma forma muito tranquila, natural, respeitavam quem eu era.

Minha mãe sempre incentivou que eu estudasse, voltei para Belo Horizonte para fazer cursinho após terminar o Ensino Médio. Estudava e trabalhava. Mas nunca deixei o quilombo e minha família de santo. As questões quem envolvem a sexualidade e gênero já rondavam minha vida. Quando me assumi trans, fui muito acolhida pela comunidade, a família que escolhi. No entanto, tive que me impor para minha família carnal, pra mostrar que aquele corpo estava em transição, que deveria ser tratada e respeitada no feminino. Tem sido, desde então, uma relação muito tranquila. Em 2012, me aproximei dos movimentos populares de Belo Horizonte, do carnaval da cidade, dos movimentos sociais e das construções políticas. “

Juhlia Santos, atriz, travesti, resolveu transformar sua luta em coletividade. É uma das pessoas a se candidatar à vaga de deputada estadual neste ano. Participa do movimento Muitxs, pela Cidade que Queremos. Seu número é o 50.111. Em Minas Gerais, também temos a professora travesti Duda Salabert candidata ao senado (500) e Leandrinha Duarte, escritora e ativista pela pauta trans e das pessoas com deficiência a deputada federal (5001). Vote trans.

Autor
Jornalista, fotógrafo e, desde 2010, realizador de trabalhos que envolvem visibilidade de travestis e transexuais (binários e não-binários)

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